Você é ponte?


“Como”. Esse é o ponto que aflige a maioria das pessoas que se aventura (no bom sentido) em terrenos pouco navegados, como é o caso da gestão do conhecimento no contexto empresarial. E é também o ponto de interrogação que povoa a cabeça dos alunos do curso de Pós-graduação em Gestão do Conhecimento do SENAC-SP. Eles querem ser ponte entre a teoria e a prática – nada fácil, certamente.

Foi por isso que a Rose Longo, coordenadora do curso, convidou um time de peso para um debate com eles, que ocorreu ontem. Eram três pesos pesados da inteligência brasileira e eu – foi uma experiência e tanto interagir com tantas mentes brilhantes.

Filipe Cassapo (Fundação Nacional da Qualidade), que dispensa apresentações, Ladislau Dowbor (Economista renomado, com vários livros publicados e atuação marcante em ensino e organização de sistemas de planejamento) e Pedro Pontual (Educador com forte atuação social, principalmente pelo Instituto Pólis) navegaram por temas como emergência, diálogo, sociedade em rede e outros elementos que apontam para a virada que a Sociedade do Conhecimento representa. Mas engana-se quem pensa que a coisa ficou só na “viagem”: os exemplos de mobilização popular e de cases de empresas que estão surfando na onda da colaboração radical, com resultados excepcionais, pontuaram todos os discursos.

Quando a bola voltou a quicar mais perto da área do “como”, motivação inicial do debate, vi que era minha única chance de fazer valer, para os alunos, o convite que me foi feito. Minha chance de ser ponte para aqueles que buscam seu lugar como uma.

Embora eu considere fundamental ter a visão sistêmica e do contexto sócio-econômico (tanto que foi o tema da minha primeira aula lá no SENAC-SP, para esta mesma turma, em agosto, também a convite da Rose), me angustia ver que a realidade da grande maioria das empresas está tão impregnada do modelo industrial que as brechas para fazer a GC acontecer podem parecer pequenas demais (ou até inexistentes).

Por isso tenhho insistido na importância de localizarmos onde informação e conhecimento, conteúdo e colaboração, fazem real diferença para o negócio – e começar por ali. Fica mais fácil ser ponte se ligamos dois pontos mais próximos – os conceitos, métodos e instrumentos do mundo da Gestão do Conhecimento com as searas onde eles terão uma aplicação natural, já que são intensivas em conhecimento.

Esse foi o recado maior da minha fala – espero ter agregado. Curioso foi sentir, pela segunda vez este ano, que, naquele contexto, meu discurso parecia o mais conservador e reacionário de todos (já havia acontecido no World Web Expoforum, quando defendi que a aplicação da web 2.0 no mundo corporativo implica em uma leitura antropofágica que não raro leva a um uso mais regulado… quase apanhei… rs…).

Mas se fazer o papel de “advogado do diabo” contribuiu para colocar as coisas em perspectiva e para suscitar debate, vou dormir feliz. Afinal, não há ponte sem duas margens, não? ;o)

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