Carr e o fim da TI como conhecemos


Escrevi, recentemente, um post sobre computação em nuvem, software como serviço e o impacto disso na vida dos departamentos de TI. Agora, uma matéria do Valor mostra Nicholas Carr (o mesmo que escreveu o livro “TI não importa” e abalou o mercado, anos atrás) apostando também em um futuro onde tecnologia da informação será um serviço como a eletricidade.

Confiram um trecho da matéria (com grifos meus) e tirem suas próprias conclusões…

(…) Embora concordem que boa parte das operações internas de tecnologia tende a migrar para as mãos de terceiros – companhias quem prestam serviços em vez de vender produtos -, os diretores de tecnologia são uníssonos em alegar que “funções estratégicas” permanecerão dentro das empresas. Em entrevista exclusiva ao Valor, por telefone, Carr faz ponderações sobre o tema. Na realidade, diz ele, a tendência é que sobrem poucas pessoas nos departamentos de tecnologia das empresas. “A maioria delas, pelo caráter operacional, vai mudar de lado e migrar para os prestadores de serviços.” A questão é que não deverá haver espaço para tanta gente assim. Quanto à necessidade de contato direto entre diretores de TI e presidentes de empresas, Carr afirma que, no dia-a-dia, “essa relação é algo raro” devido ao conhecimento desses profissionais. “A maior parte dos líderes de tecnologia não tem perfil de negócios; essas pessoas sabem que, se quiserem sobreviver, terão que mudar de postura.”

Depois de desbancar o papel estratégico da tecnologia, Carr agora volta à cena com mais um petardo contra os modos tradicionais de comprar e lidar com tecnologia. Em seu livro publicado recentemente nos Estados Unidos – “The big switch: rewiring the world, from Edison to Google” (algo como “A grande virada: reconectando o mundo, de Edison ao Google”), Carr defende a idéia de que a internet irá centralizar tudo aquilo que hoje está instalado em computadores. Sistemas operacionais, planilhas de textos e de cálculos, correio eletrônico, músicas, fotos: tudo fará parte da chamada “cloud computing“, a nuvem digital que será acessada por qualquer dispositivo. A idéia é que a infra-estrutura tecnológica, por mais complexa que seja, passe a ser tratada como um serviço de utilidade, remunerada da mesma forma como acontece com uma conta mensal de energia, água ou gás. Carr lembra que, 100 anos atrás, empresas deixaram de investir em seus próprios geradores de energia para plugar as tomadas em estruturas externas, mudando completamente a forma como o mercado funcionava. “Começamos a perceber esse tipo de movimento hoje quando empresas como o Google decidem oferecer ferramentas de textos e planilhas via internet, sem a necessidade de baixar sistemas”, diz ele.

Então por que o Google tem encontrado dificuldades para emplacar seus sistemas via internet? As pessoas não estariam prontas para isso? “É uma pergunta difícil de responder, mas o que já podemos afirmar é que se trata de um caminho claro.” Bill Gates criou a Microsoft, maior companhia de software do mundo, vendendo licenças de programas como Windows e Office. Mas, segundo Carr, esse modelo de negócios vai se exaurir. “Acredito que em dez anos o modelo de licenças não existirá mais.” Segundo o executivo, a migração de sistemas e serviços para a internet é o que está por trás de planos como o de Steve Ballmer, o executivo-chefe da Microsoft, para adquirir o Yahoo. “A Microsoft vê nessa transação a oportunidade de crescer rápido na internet e gerar receita com publicidade, uma fonte ainda pequena para ela.” A boa notícia, diz Carr, é que a “computação nas nuvens” permitirá que sistemas sofisticados e até agora restritos a grandes empresas tornem-se acessíveis a pequenos negócios, o que irá favorecer países como o Brasil. “Certamente há variações de tempo entre mudanças que vemos nos Estados Unidos e no Brasil, mas não há dúvidas de que elas chegarão.”

Em tempo: o Gartner, em seus mais recentes eventos, também tem apontado para esta tendência…

Como já disse no post passado, podemos também utilizar as mudanças ocorridas no mercado publicitário como referência: a maioria das empresas tinha agências inteiras dentro de casa (as chamadas “houses”), mas hoje isso é uma absoluta raridade. Os profissionais migraram quase todos para prestadores de serviços especializados (e, dentro das empresas, o departamento é absolutamente cerebral e voltado para gerenciar os terceiros – igual futuro aguarda a TI…).

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One thought on “Carr e o fim da TI como conhecemos

  1. Ricardo, finalmente cheguei! Gostei muito do estilo clean e texto leve. Estava procurando um artigo para um curso que vou dar em agosto e achei esse novo artigo do Nicholas Carr muito apropriado.
    Já tinha lido a respeito a Web 5.0 ou 6.0. É a Web como serviço, ou seja, plataforma única. Antes dela ainda teremos a revolução da busca com a Web semântica. Não haverá mais sistemas operacionais e todas as transações serão convertidas em serviços. Não compraremos mais software e a TI deixará de ter essa função. Cada departamento encontrará na Web algum serviço que responderá às suas necessidades. Maravilha! Resta saber o que acontecerá em dias de apagão por conta da Telefônica…rs. O que seria um plano B?

    abs e parabéns pelo projeto! Re.

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