PETER SENGE E A LIDERANÇA


No artigo “Conduzindo organizações voltadas para o aprendizado”, integrante do livro “O líder do Futuro”, editado pela Peter Drucker Foundation, Peter Senge volta a tratar, com brilhantismo, de questões que são fundamentais para a Gestão do Conhecimento.

Logo na abertura, questiona o porquê de colocarmos tanto peso na força da “alta administração” para que as mudanças aconteçam. E destaca que, ao contrário, muitas das iniciativas que tenham a cúpula como força empreendedora podem “dar com os burros n´água”, tendo em vista os sucessivos modismos que surgiram nos últimos anos, gerando descrédito para novas iniciativas. Colocar a responsabilidade na cúpula também implica em valorizar demais o poder hierárquico, tão presente e importante na estrutura industrial tradicional – e tão diferente da organização voltada para o aprendizado, apregoada por Senge.

Em lugar de controle, visão. Em lugar de poder hierárquico, compromisso. Confiança onde havia só cobrança. E empowerment como amálgama. Estes são alguns pontos-chaves do pensamento de Senge (que corroboram o que diz Drucker e Handy).

Mas Senge vai mais além: indica que são necessárias novas estruturas e funções, que estimulem e facilitem a organização que aprende. E a questão da liderança descentralizada está no cerne da questão. Ele propõem o estímulo a “líderes de linha locais”, “líderes executivos” e “intercomunicadores ou construtores da comunidade” como alternativa ao poder concentrado em departamentos e à visão de que um núcleo central pensa, feitores mandam e os recursos (humanos) giram a engrenagem na direção tida como certa (qualquer semelhança com “Tempos Modernos”, obra-prima de Chaplin, não é mera coincidência).

O interessante é notar que a proposta de Senge nada tem de gratuita ou de modismo. Ele antes constata que a solução hierárquica simplesmente não é mais capaz de dar a resposta que os novos tempos exigem – e só então parte para novas formulações. E conclui: “Os desafios da mudança sistêmica, onde a hierarquia é imprópria, nos impelirão, acredito eu, para novas visões de liderança, baseada em novos princípios. Estes desafios não podem ser enfrentados por líderes heróicos isolados. Eles exigirão uma rara combinação de diferentes pessoas em diferentes posições que liderem de maneiras diferentes.”

Sem dúvida, Senge é uma das mentes mais brilhantes na área de desenvolvimento organizacional e, ao lado de Peter Drucker e Charles Handy, forma uma tríade de pensadores sérios, que acreditam na mudança e trabalham arduamente para tentar jogar um pouco de luz sobre os caminhos da transição do modelo industrial para o modelo do conhecimento e do aprendizado contínuo.

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