2003, O ANO DO PORTAL CORPORATIVO NO BRASIL: UMA BOA NOTÍCIA?


Sem dúvida nenhuma, corroborando os dados dos institutos de pesquisa multinacionais, estamos vendo um grande barulho em torno dos Portais Corporativos neste ano.

Claro está que vários fatores contribuem para isso, dentre os quais dois podem ser destacados: 1) o maior investimento em marketing por parte dos fabricantes de portais e 2) a necessidade cada vez mais premente de encontrarmos a agulha no palheiro (vide post sobre o editorial da Quattuor).

Entretanto, talvez haja um fator ainda mais forte – e talvez maléfico… A ascenção dos portais poderia ser decorrência direta do imediatismo e do imperativo “time is money”. Os portais, de certa forma, “materializam a gestão do conhecimento”, tornam todo o discurso amplo da GC em algo palpável, tangível. Isso pode ser positivo, facilita a compreensão daqueles que ainda encaram gestão do conhecimento como algo do outro mundo. Mas também embuti uma lógica reducionista: GC é bem mais do que um portal…

Desde meu primeiro artigo, escrito para o Webinsider na série “A intranet: de prima pobre a popstar”, enfatizo: tem muita gente boa pensando que basta implantar um software de portal para pegar o foguete da nova era… mas, no fundo, estão perdendo o bonde da história…

O perigo é vivenciarmos, no segmento de portais, o mesmo tropeço que o CRM colhe agora: também ele foi vendido com uma promessa (a de aproximar empresas e clientes, aumentando a fidelização) que só é possível se toda a instituição passar a ser orientada para o cliente. Resultado? Tivemos um boom no ano passado e agora há uma certa ressaca no ar, com alguns sinais de retomada. No final do ano passado, a Exame divulgou uma pesquisa sobre os fracassos do CRM e a conclusão era tão simples quanto emblemática: “o CRM não funciona porque as empresas não o compreendem” – foi a afirmação do cara que liderou o levantamento (sorry, não tenho a referência da edição, nem o nome do cidadão, mas foi uma pesquisa levada a cabo por uma dessas grandes do setor, tipo Gartner…).

Claro que este processo de aprendizado pode ser visto como positivo. Entretanto, quando se trata de negócios, isso significa também investimentos sem retorno, prejuízos… Além do mais, se colarem na testa dos portais uma etiqueta de “promete muito, mas não funciona na prática”, podemos estar vivendo a euforia que precede toda depressão…

Tomara que eu esteja errado – e que as empresas estejam, de fato, implantando portais dentro de uma estratégia mais ampla de GC. Será?

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