EUZINHO NA QUATTUOR


Recentemente, recebi um convite legal: escrever um Editorial para a Newsletter da Quattuor, renomada empresa de TI do Rio Grande do Sul. A oportunidade em si já me parecia interessante, mas ficou irresistível quando vi que a indicação do meu nome partiu do pessoal do Baguete, especializados em conteúdo. A eles (e ao pessoal da Fabrika de Propaganda – assessoria de comunicação que intermediou tudo), o meu muito obrigado.

O resultado está logo abaixo, onde reproduzo o artigo (que também pode ser encontrado no site da Quattuor, bastando clicar no link “Newsletter” – com direito a um excelente repelente de moscas e mosquitos: minha foto…). Além disso, 6 mil assinantes da mala direta deles receberam o artigo – legal, né?

O tema era “a importância dos conteúdos pertinentes”. Como bom “mala-man” (quando visto esta fantasia, fico chato pacas, perfeccionista…), coloquei um pouco mais de pimenta, já que não basta encontrar a agulha no palheiro, mas também saber o que fazer com ela. Segue o texto:

A agulha, a TI e os Talentos

Editorial
por Ricardo Saldanha

Você já deve ter ouvido falar que vivemos na “era da informação”, não? Outros afirmam que estamos, em verdade, na “era do conhecimento”. Mas todos concordam que a nossa vida – e a vida das empresas, principalmente – está mudando muito.

Seja como for, um dos maiores desafios desse novo tempo é identificar aquilo que é pertinente em meio a esse bombardeio diário de informações que sofremos – vivemos a procurar uma agulha no palheiro, várias e várias vezes ao dia…

Mas porque é assim? O que há de tão valioso nas informações? Afinal, elas sempre tiveram valor, não? Ou seja: o que mudou?

Sim, informação e conhecimento sempre tiveram seu espaço. Mas agora, com a aceleração da competição e a ampliação de sua escala, fruto da globalização, o que difere uma empresa líder das demais é a sua capacidade de inovar, já que todo resto virou commodity. Como a inovação é fruto de uma nova forma de ver o mundo, as informações – que trazem o mundo até nós – tornaram-se vitais. Note também que o fluxo de informações e de inter-relações aumentou enormemente nas décadas de 80 e 90 do século XX, tornando tudo muito mais complexo e interligado. Mas é imprescindível ressaltar que informação sem ação vale muito pouco. Aliás, isto me lembra uma das definições para “conhecimento”: a capacidade de agir com base nas informações disponíveis.

Vale aqui lançar mão de algumas definições que certamente nos ajudarão a entender melhor as questões sobre conteúdos pertinentes: numa escala simplificada, “dado” é um elemento descontextualizado, enquanto “informação” é o dado em um determinado contexto. Se eu digo “R$ 17.000,00”, por exemplo, tenho apenas um dado. Se sei que “R$ 17.000,00 é o preço de um carro popular”, aí sim tenho uma informação, ganhei contexto. E se, com base nesta informação, comparada com outras (como as do meu saldo bancário e as que falam dos diferenciais de cada modelo), decido comprar este carro, chegamos ao campo do “conhecimento” – o último degrau da escala.

Este é o principal motivo pelo qual depurar as informações que nos chegam torna-se vital: somente quem for capaz de criar inter-relações contextuais a partir das informações recebidas será capaz de enxergar um cenário mais amplo e estará mais apto a tomar decisões acertadas. E também terá mais insumos para criar algo novo.

Assim, dados e informações são a nova matéria-prima que, quando processada, gera conhecimento e inovação – o ouro em pó da nova era. Internet, intranets e telecomunicações são infovias, onde a matéria-prima digital trafega, para que possa ser processada.

Vale ressaltar, entretanto, que não são mais as máquinas que processam e fornecem o output final: na “Era do Conhecimento”, elas perdem a posição de protagonistas para os seres humanos. Somos nós, profissionais qualificados, os únicos capazes de processar a informação, transformando-a em conhecimento e inovação, agregando valor às nossas empresas.

Ao contrário do que muitos pensam, o eixo da nova era gira em torno das pessoas, dos talentos, muito embora a TI jogue um importante papel. Mas de nada adianta uma empresa contar com os melhores sistemas de informação se não contar com pessoal qualificado profissionalmente e se não promover mudanças empresariais profundas, que incentivem a colaboração e desmistifiquem a hierarquia, por exemplo. Não é por acaso que estamos vendo muitos tropeços do CRM e as dificuldades encontradas pelas organizações para fazer decolar as intranets e portais corporativos: muitas empresas acham que basta implementar um sistema destes para acelerar a entrada na nova era, mas não promovem as mudanças organizacionais e empresariais necessárias. Resultado: frustração e fracasso.

Isso não significa, entretanto, que estas ferramentas maravilhosas não tenham valor. Muito pelo contrário: portais corporativos de última geração são capazes, potencialmente, de ajudar muito a encontrar a agulha-no-palheiro-nossa-de-cada-dia. Mas, como vimos, encontrá-la é importante, mas não é tudo. Se não dermos mais um passo, rumo ao conhecimento, de pouco adiantará ter a informação certa, para a pessoa certa, na hora certa. Assim, estas ferramentas precisam sempre fazer parte de um contexto mais amplo de mudanças, dando suporte a iniciativas de gestão do conhecimento.”

Anúncios

Comente

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s