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Um viva para as espinhas!
Quem não teve espinhas quando entrou na puberdade? É o sinal mais inequívoco da transformação do nosso corpo, rumo ao mundo adulto, não?
Pois se o mercado de intranets e portais corporativos fosse um ser humano, certamente estaria cheio de espinhas em 2008.
Em meados deste ano, quando concluí a análise da terceira edição da pesquisa IMP – Índice de Maturidade dos Portais, eu já realçava isso: os resultados mostravam claramente que aquela visão incipiente, quase amadora, estava ficando para trás na maioria das empresas participantes. Elas estão pensando mais em gestão da informação e do conhecimento como elemento estratégico e os portais avançados se mostram fundamentais (e únicos) nessa hora.
Agora, três outros importantes sinais corroboram aquele sentimento:
- a receptividade ao Prêmio Intranet Portal, mesmo na sua primeira edição;
- a qualidade dos cases apresentados, em especial dos que venceram nas categorias (Itaú, ENSP/Fiocruz e Banco Central), bem como dos finalistas ao Grand Prix (Oi, Itaú e ENSP/Fiocruz - o vencedor só será conhecido em 14/11, na Conferência “Colaboração, Conteúdo e Integração”, que está com inscrições abertas);
- os objetivos declarados dos participantes da décima edição do meu workshop, que aconteceu esta semana, todos falando explicitamente em gestão do conhecimento e muitos focados no papel estratégico do ambiente.
Isso sem contar a posição da Microsoft frente ao seu Sharepoint (MOSS 2007): Steve Ballmer disse textualmente que ele tende a ser o novo “sistema operacional” de fato, num cenário de Software + Serviço (foco da Microsoft, em contraposição ao “SaS”, software como serviço). Ou seja: em um sentido amplo, sistema operacional é aquele que orquestra os sistemas, não? Se a web passa a ser uma plataforma e parte dos softwares for para a nuvem (cloud computing), quem fará a integração do que está dentro e do que está fora? O Portal Corporativo – no caso da MS, o Sharepoint. Dá para notar a importância e a posição de destaque que isso dá a este ambiente, não?
Em post recente, também falamos dos resultados do levantamento que o IDC fez, apontando um forte crescimento do segmento agora e para os próximos anos.
É, parece que o fenômeno da “Pirâmide de Maslow da TI”, alvo de outro post recente, está mesmo acontecendo: à medida que as questões de infra e segurança são terceirizadas e que as questões de controle são equacionadas, o foco finalmente chega ao mundo da informação e conhecimento, onde a tecnologia em rede vai agregar efetivo valor estratégico para o negócio, promovendo a inteligência coletiva.
O adolescente está mostrando a cara. E se for daqueles irriquietos e ansiosos, como parece ser o caso, logo, logo estará tirando onda de adulto… Jogo minhas fichas nisso. E você, o que acha?
1 comment 30/Outubro/2008
Sharepoint 2007: o novo Notes?
Não, você não leu errado. E, se vive no mundo de TI há uns 10 ou 15 anos, vai entender claramente a comparação.
Quem acompanhou o lançamento do MOSS 2007 (vulgo Sharepoint) sabe que houve muito burburinho em torno desta suíte de portal corporativo da Microsoft. Seria ela capaz de cumprir um bom papel no mundo web, onde certamente não está na dianteira? Seria o Sharepoint também uma ferramenta de ECM, como prega a fabricante?
Agora que um ano se passou, duas coisas são certas: o Sharepoint é o maior sucesso recente da empresa (afirmação dela própria e constatação prática deste que vos fala) e as preocupações quanto ao seu “uso indiscriminado” são crescentes. E é aqui que entra o Notes…
Ele foi uma das primeiras maravilhas corporativas da microinformática. Dominando sua linguagem e utilizando mais do que somente o correio eletrônico, era possível construir várias aplicações de forma rápida, com workflow, bases de documentos, alertas… e eis que a área de TI se viu incapaz de orquestrar seu uso, já que proliferavam usuários não-TI que dominavam a ferramenta.
Logo, logo, o que era maravilhoso se mostrou infernal. Simplesmente a sua grande facilidade, frente ao que existia na época, era o seu maior pró – e mostrou-se, logo depois, seu maior contra. Sem governança, sem arquitetura de integração, sem documentação, sem roadmap, o crescimento desordenado se tornou uma grande dor de cabeça. E ainda hoje o é, para muitas empresas que têm vários desenvolvimentos em Notes como legado.
Pois voltemos ao Sharepoint: pegue as análises recentes e os “alertas dos especialistas” a respeito dele, substitua a palavra “Sharepoint” por “Notes” nestes artigos e você verá que as duas realidades, separadas por vários anos, são muito similares. Fato é que a TI está disponibilizando o Sharepoint livremente e ele, que traz várias facilidades e é intuitivo em muitos aspectos, vai proliferando desordenadamente, gerando repositórios isolados, sem padronização, sem controle, sem roadmap, sem documentação… É a vitória do curtíssimo prazo, do pragmatismo exacerbado, sem qualquer visão sistêmica, sobre o planejamento evolutivo e o tratamento destes ambientes como algo orgânico. Qualquer semelhança não é mera coincidência.
Mas uma pergunta não quer calar: se já vivemos isso com o Notes, porque a TI repete o erro de entregar diretamente a ferramenta para os usuários?
E o pior: o mesmo já aconteceu nos primórdios das intranets. Em artigo de 1996, falando sobre “o fenômeno chamado intranet”, um dos cases apresentados como fantástico dava conta de que a FedEx já tinha 600 (!!!) intranets departamentais… o artigo trazia depoimentos dos gestores, falando do quanto era maravilhoso e simples usar o html e acessar pelo browser… Hoje, boa parte das empresas que me procuram querem justamente saber o que fazer com legados desordenados deste tipo, que de produtivos não têm nada…
O principal motivo para essa postura permissiva-omissa é bem claro: a TI se vê refém da sua tradicional incapacidade de ter a agilidade necessária para atender as demandas das áreas de negócio e prefere abrir mão da orquestração em nome de uma falaciosa idéia de estar cumprindo o seu papel, liberando a ferramenta (quando, na verdade, um de seus papéis mais nobres deveria ser justamente a orquestração…).
A diferença, nos dias atuais, é que já temos massa crítica e cases de portais CORPORATIVOS (leia-se: orquestrados) que mostram o caminho – mas ainda assim muitos insistem em repetir os erros do passado. O mais irônico é que, com um bom planejamento e utilizando de forma inteligente os processos de permissão e gestão, é perfeitamente possível dar ao usuário final muito poder e agilidade, mas sem abrir mão da orquestração sistêmica, inclusive usando o Sharepoint 2007.
Além disso, a TI continua caindo no canto da sereia dos fabricantes (que, na maioria das vezes, querem vender e cumprir a meta, custe o que custar) e continua achando que o importante é manter o servidor de e-mail no ar (e olha que o SaaS já é uma realidade). Se focasse mais no I, de ”Informação” (e Conhecimento) e menos no T (de ”Tecnologia”), pensaria duas vezes antes de sair distribuindo Sharepoint para as massas e colocaria os projetos de portal corporativo como elementos prioritários do seu planejamento, já que é tratando informação e conhecimento, com vistas à inteligência coletiva e à inovação, que se agrega efetivo valor ao negócio. Pensar em um projeto de portal é pensar na governança, orquestração e evolução destes ambientes web corporativos que, bem arquitetados, são uma das mais importantes ferramentas para empresas que querem ampliar a sua competitividade neste mundo hiperlinkado.
E você? Ainda confunde sistema crítico-comoditizado (como o e-mail) com estratégico? Então certamente o caos informacional está se formando bem debaixo do seu nariz - e, o que é pior, com a sua bênção…
2 comments 22/Agosto/2008
IBM, Microsoft e Lumis
Estes são os líderes em market share no Brasil, no mercado de portais, segundo a IDC.
Matéria da TI Inside complementa um post recente meu, informando ainda os percentuais de participação destas marcas: IBM (e seu Websphere) tem 26,8%, Microsoft (e seu MOSS 2007, vulgarmente conhecido como Sharepoint) tem 14,95% e a Lumis (com o Lumis Portal Suite) vem logo atrás, com 11,9%.
Confira a matéria na íntegra em http://www.tiinside.com.br/News.aspx?ID=91354&C=265
1 comment 1/Agosto/2008
Microsoft finaliza compra da Fast Search
Já tinha sido anunciado em janeiro, mas só agora foi formalizado: a Fast agora é “a Microsoft Subsidiary”, como anunciou Hadley Reynolds em post do dia 25 no FastForwardBlog. Ao mesmo tempo, Kirk Koenigsbauer, General Manager do SharePoint Business Group, confirmava.
Com isso, a M$ dá uma tacada de mestre, reforçando o MOSS (Sharepoint 2007) em um aspecto em que ele nunca foi competitivo: a busca. Claro está que ainda haverá um tempo de desenvolvimento para que a integração das ferramentas esteja completa, mas um futuro com a (excepcional) ferramenta da Fast incorporada inclui um horizonte ainda mais promissor para o Sharepoint.
Esse movimento da Microsoft também representa um reforço contra as investidas do Google no mundo corporativo. Em evento realizado em fevereiro, do qual participei (e relatei aqui no blog), dá para notar que a ferramenta do Google ainda fica devendo para a da Fast (principalmente porque o genial PageRank, tão importante na internet, não se aplica no universo intra-firewall). Mas quem duvidar da capacidade inventiva do Google para tirar o atraso certamente é louco – e a MS pode ser muita coisa, mas doida não é…
Por outro lado, representa a consolidação do mercado de busca como algo extremamente relevante – haja vista o que a própria Microsoft tem feito para adquirir o Yahoo (já imaginaram a força que ganha a MS se juntar Fast+Yahoo debaixo do seu guarda-chuva?).
Não podemos esquecer também que é parte do movimento de consolidação do mercado de portais horizontais, onde as suítes vão ficando cada vez mais poderosas, englobando em suas ofertas tudo que se refere a integração com legados, gestão de conteúdo e fomento à colaboração. Já não é mais possível olhar para estes elementos separados - não se quisermos efetivamente agregar valor ao negócio das organizações.
1 comment 28/Abril/2008


