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Metodologia: bússola, mapa ou bíblia?
Não é fácil encontrar muita gente interessada em discutir metodologias. As pessoas tendem a achar que se trata de pura teoria ou de academicismo não-pragmático (no caso brasileiro, talvez nem fosse preciso o adjetivo, infelizmente…).
Mas o amigo Marcelo Yamada, como eu, sabe que o bom método é aquele que, ao contrário do senso comum, nasce de uma prática – aliás, nasce de uma seqüência de práticas. É, portanto, uma explicitação do conhecimento e das melhores práticas adquiridas com a vivência. Representam, isso sim, um olhar sistêmico – não um olhar acadêmico. É o oposto da postura “obreira”, do “sair fazendo”, típica de uma pressa irresponsável que muitas vezes aparece, nos dias de hoje, travestida de “atitude orientada aos negócios”…
Pois bem: no blog do Yamada surgiu uma discussão interessante, a partir de um texto que, de forma ácida, afirma que “metodologias são roteiros para pessoas que não sabem e não querem pensar”. Segundo Luciano Pires, autor do artigo que Yamada transcreve, elas são usadas como mapas, quando deveriam ser bússolas. Será?
Aproveitando essas metáforas, mas olhando-as de uma forma um pouco diferente, penso que uma boa metodologia deve ser como um mapa do relevo (e não das estradas), aliado a uma bússola. Um mapa sim, mas que não se aventure a querer detalhar tudo em demasia, visto que o terreno do conhecimento é contextual e dinâmico. Logo, querer encerrar todos os aprendizados em uma única via é, antes de mais nada, improdutivo. E uma bússola no sentido de poder alertar para as potenciais alternativas de caminho e não deixar nunca de sinalizar o norte maior, mesmo que a situação peculiar de um projeto implique em desconstruir o método para chegar lá.
Mas o autor está certo no conceito: as pessoas em geral buscam fórmulas de bolo quando se interessam pela aplicação de uma metodologia. Elas não olham o método como mapa, nem como bússola: olham como bíblia. Vejo isso claramente na onda do PMI, onde jovens inexperientes se apressam em apresentar sua credencial PMP e tocam tudo “by the book”, inseguros que são na sua imaturidade, ávidos por um porto seguro onde possam se esconder (gerenciar um projeto requer, antes de mais nada, alguma senioridade, não?). Adotam de forma dogmática (não-pensar) e esperam que todas as respostas, para todas as situações (e suas variantes!) estejam ali, como se isso fosse possível. Mas não é – felizmente, não é.
Entretanto, replicando o comentário que já havia feito no blog do Yamada, o problema não está só no estímulo que o mercado dá a isso. Está também nas próprias propostas metodológicas, que se querem bíblias (para seguir no exemplo, embora esteja longe de ser o único, pensem de novo nas proposições messiânicas do PMI….). Logo, não é só produto de quem lê atravessado, mas também de quem produz um roteiro acreditando que está escrevendo as tábuas da Lei.
Se houvesse uma genuína intenção usar o método como base para mitigar os erros da prática e como memória, se quisermos que uma metodologia seja percebida mais como bússola do que como bíblia, precisamos também adotar uma postura diferente ao criá-la. Deveríamos focar em um “kernel” sólido, estimulando os usuários a criar a partir e sobre ele. Mas as certificações tradicionais têm um quê de proprietárias e baseiam seu modelo de valor no fato de serem o que há de melhor (sem contestações, sem um pensar a respeito… ).
É nisso que acredito. É esse o caminho que estou trilhando quano o assunto são intranets e portais corporativos.
2 comments 30/Outubro/2008
Agregando valor em ambientes digitais corporativos – a trilha (parte 1)
Para que serve sua intranet? O que um portal tem que nenhum outro sistema já criado possui? Quais são seus diferenciais máximos e onde eles agregam valor?
Estas são questões que muitas vezes esbarram em respostas muito amplas (portal = panacéia) ou muito estreitas (viciadas pela voz/papel do seu interlocutor).
Eis que surge, nesse mar de confusão, o PCC. Não, não é o que você está pensando: felizmente, o assunto aqui nada tem a ver com facções criminosas, mas sim com uma sigla que vem se consolidando, aqui e lá fora, para definir o universo de atuação das intranets e portais.
“E daí? Mais uma buzzword?”. Sim. E não. Segundo consta, quem cunhou a expressão “Portals, Content and Collaboration” (Portal, Conteúdo e Colaboração) foi o Gartner – maior produtor mundial de buzzwords… rs… Mas, olhando com mais atenção, dá para notar que eles conseguiram “colocar o ovo em pé” – conseguiram demarcar claramente, pela primeira vez, o universo de atuação dos ambientes digitais corporativos, o que nos ajuda muito a entender onde eles agregam efetivo valor.
Em bom Português, significa dizer, em alto e bom som, que intranets e portais servem para três coisas (e são o melhor que há em cada uma delas):
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PORTAL = Tecnologia = integrar e orquestrar sistemas de forma mais racional, para a TI, e amigável, para o tomador de decisão/usuário;
- CONTENT = Conteúdo = promover a produção, acesso, uso, reuso e guarda dos muitos conteúdos produzidos no ambiente corporativo;
- COLLABORATION = Colaboração = estabelecer a aproximação, mediada e apoiada pela tecnologia, dos cérebros e talentos da organização.
[De certa forma, tem tudo a ver com a abordagem que defendo há tempos: o ambiente digital corporativo deve ser um elemento integrado (orquestração tecnológica) e integrador (aproximando pessoas de conteúdos e pessoas de pessoas)].
Nós próximos posts desta semana, vou focar em cada um destes três aspectos, procurando demonstrar como, ao seguir uma dessas trilhas, você pode agregar inequívoco valor ao negócio de uma organização com sua intranet ou portal (falaremos do tão perseguido ROI…).
E mais: como, seguindo os três, de forma conjugada, incorporando uma visão de processos, uma modelagem alinhada à estratégia e preocupações com gestão de mudanças se alcança um ganho sinérgico e sistêmico que faz do ambiente a tão falada plataforma das “empresas que aprendem”.
Até!
1 comment 3/Março/2008
Escolha da ferramenta – bastidores…
Na hora de comprar uma ferramenta para suportar o ambiente digital, muita gente boa queima neurônios em busca de uma metodologia eficaz de comparação. Eu mesmo já participei de várias ações assim, encomendadas por profissionais sérios de empresas clientes. São preocupações legítimas, que envolvem um trabalho criterioso.
Neste sentido, o pulo do gato está em estabelecer não só requisitos de sistema, mas também de negócio. Em outras palavras: se está claro para você que o ambiente digital é a infovia por onde transitam os negócios no século XXI, então não adianta olhar apenas as características técnicas das ferramentas. É preciso saber onde se quer chegar, do ponto de vista estratégico, para ver qual a mais aderente.
Entretanto, por mais criterioso que seja o método, dois grandes drivers normalmente desequilibram o jogo nos bastidores.
O primeiro dele é ultra-legítimo: o legado. Sim, empresas não nasceram ontem. Possuem sistemas anteriores à escolha da ferramenta de portal. E não raro fizeram alguma opção clara de caminho (ex: .net x java). Logo, o parque atual de TI e os recursos humanos que ela dispõe terão uma enorme influência na escolha, já que um dos grandes papéis dos portais é atuar como agente integrador (é aí, na verdade, que está o ROI hard da coisa toda). TI normalmente busca homogeneidade e convergência, para reduzir a dor de cabeça das integrações.
Mas há um outro elemento nos bastidores que não segue nenhuma lógica, a não ser a da velha “lei do mais forte”. Quando um big player tem interesse numa determinada conta ou cliente, não há quem segure. São verdadeiros tratores, com o poderio do marketing e das verbas a fundo perdido. A gente houve cada história… fato é que não há análise técnica que resista a um acordo de cavalheiros ou a uma mala cheia de verdinhas (infelizmente).
Add comment 27/Fevereiro/2008


