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Sharepoint 2007: o novo Notes?

Não, você não leu errado. E, se vive no mundo de TI há uns 10 ou 15 anos, vai entender claramente a comparação.

Quem acompanhou o lançamento do MOSS 2007 (vulgo Sharepoint) sabe que houve muito burburinho em torno desta suíte de portal corporativo da Microsoft. Seria ela capaz de cumprir um bom papel no mundo web, onde certamente não está na dianteira? Seria o Sharepoint também uma ferramenta de ECM, como prega a fabricante?

Agora que um ano se passou, duas coisas são certas: o Sharepoint é o maior sucesso recente da empresa (afirmação dela própria e constatação prática deste que vos fala) e as preocupações quanto ao seu “uso indiscriminado” são crescentes. E é aqui que entra o Notes…

Ele foi uma das primeiras maravilhas corporativas da microinformática. Dominando sua linguagem e utilizando mais do que somente o correio eletrônico, era possível construir várias aplicações de forma rápida, com workflow, bases de documentos, alertas… e eis que a área de TI se viu incapaz de orquestrar seu uso, já que proliferavam usuários não-TI que dominavam a ferramenta.

Logo, logo, o que era maravilhoso se mostrou infernal. Simplesmente a sua grande facilidade, frente ao que existia na época, era o seu maior pró – e mostrou-se, logo depois, seu maior contra. Sem governança, sem arquitetura de integração, sem documentação, sem roadmap, o crescimento desordenado se tornou uma grande dor de cabeça. E ainda hoje o é, para muitas empresas que têm vários desenvolvimentos em Notes como legado.

Pois voltemos ao Sharepoint: pegue as análises recentes e os “alertas dos especialistas” a respeito dele, substitua a palavra “Sharepoint” por “Notes” nestes artigos e você verá que as duas realidades, separadas por vários anos, são muito similares. Fato é que a TI está disponibilizando o Sharepoint livremente e ele, que traz várias facilidades e é intuitivo em muitos aspectos, vai proliferando desordenadamente, gerando repositórios isolados, sem padronização, sem controle, sem roadmap, sem documentação… É a vitória do curtíssimo prazo, do pragmatismo exacerbado, sem qualquer visão sistêmica, sobre o planejamento evolutivo e o tratamento destes ambientes como algo orgânico. Qualquer semelhança não é mera coincidência.

Mas uma pergunta não quer calar: se já vivemos isso com o Notes, porque a TI repete o erro de entregar diretamente a ferramenta para os usuários?

E o pior: o mesmo já aconteceu nos primórdios das intranets. Em artigo de 1996, falando sobre “o fenômeno chamado intranet”, um dos cases apresentados como fantástico dava conta de que a FedEx já tinha 600 (!!!) intranets departamentais… o artigo trazia depoimentos dos gestores, falando do quanto era maravilhoso e simples usar o html e acessar pelo browser… Hoje, boa parte das empresas que me procuram querem justamente saber o que fazer com legados desordenados deste tipo, que de produtivos não têm nada…

O principal motivo para essa postura permissiva-omissa é bem claro: a TI se vê refém da sua tradicional incapacidade de ter a agilidade necessária para atender as demandas das áreas de negócio e prefere abrir mão da orquestração em nome de uma falaciosa idéia de estar cumprindo o seu papel, liberando a ferramenta (quando, na verdade, um de seus papéis mais nobres deveria ser justamente a orquestração…).

A diferença, nos dias atuais, é que já temos massa crítica e cases de portais CORPORATIVOS (leia-se: orquestrados) que mostram o caminho – mas ainda assim muitos insistem em repetir os erros do passado. O mais irônico é que, com um bom planejamento e utilizando de forma inteligente os processos de permissão e gestão, é perfeitamente possível dar ao usuário final muito poder e agilidade, mas sem abrir mão da orquestração sistêmica, inclusive usando o Sharepoint 2007.

Além disso, a TI continua caindo no canto da sereia dos fabricantes (que, na maioria das vezes, querem vender e cumprir a meta, custe o que custar) e continua achando que o importante é manter o servidor de e-mail no ar (e olha que o SaaS já é uma realidade). Se focasse mais no I, de ”Informação” (e Conhecimento) e menos no T (de ”Tecnologia”), pensaria duas vezes antes de sair distribuindo Sharepoint para as massas e colocaria os projetos de portal corporativo como elementos prioritários do seu planejamento, já que é tratando informação e conhecimento, com vistas à inteligência coletiva e à inovação, que se agrega efetivo valor ao negócio. Pensar em um projeto de portal é pensar na governança, orquestração e evolução destes ambientes web corporativos que, bem arquitetados, são uma das mais importantes ferramentas para empresas que querem ampliar a sua competitividade neste mundo hiperlinkado.

E você? Ainda confunde sistema crítico-comoditizado (como o e-mail) com estratégico? Então certamente o caos informacional está se formando bem debaixo do seu nariz - e, o que é pior, com a sua bênção…

2 comments 22/Agosto/2008

GOVERNANÇA, A BOLA DA VEZ (AGORA E SEMPRE)

Tudo bem, tudo bem… todo mundo já sabe que portal não é só TI (ou ao menos, a essa altura do campeonato, deveria, né?). E o que há, então, no “além-TI”? Estratégia. Pessoas. Processos. Informações.

Mas há também a necessidade de orquestrar tudo isso. E de dar sustentabilidade ao ambiente digital. Logo, trata-se de criar uma estrutura, com papéis e responsabilidades, tal qual existe no mundo off line. Sim, tal qual, mas não igual…

Estamos falando de Governança, a “estrutura de poder” que endereça assuntos e responsabilidades em um portal de modo a garantir que a rede se traduza em uma estrutura corporativa com um mínimo de “controle”.

Falar em poder e controle quando se aborda o ambiente digital é sempre complicado. Tudo nasceu na libertária internet. Mas empresas não são anárquicas – muito pelo contrário. Logo, a governança é também a arte de tirar o melhor do empowerment que a capilaridade do ambiente dá sem ferir a cultura e as suscetibilidades de organizações onde a hierarquia ainda impera (para o bem ou para o mal… já é tema para outro post… rs). A “arte do controle”, como sempre cita o amigão Cacau.

O fato é que o portal é vivo. Orgânico. Cresce. E precisa de um mínimo de orquestração para garantir sinergia, integração e resultados duráveis. Logo, a governança, como diz Sérgio Storch, bebe na fonte da teoria organizacional, não é um tema novo em si. Mas as peculiaridades do meio digital e da cultura digial requerem uma nova leitura. Só assim conseguiremos desenvolver a sensibilidade para unir as necessidades de controle da organização ao ímpeto libertário do mundo web (tão em evidência agora, quando a web 2.0 virou moda).

Add comment 16/Abril/2007


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Pois então temos muito em comum: eles são a minha praia, figurinhas freqüentes nestas paragens.

Entretanto, o "INTRA", do título, quer dizer também "por dentro": da vida (corporativa e pessoal), da sociedade louca, da nova era e de tudo que os olhos possam tocar ou que a mente possa vislumbrar. E o "2.0" que o complementa é uma alusão à evolução do meio digital e também a sinalização de que este é meu segundo blog...

Vago? Fragmentado? Nada mais blog. Nada mais urbano e aquariano. Estou em casa - e a porta está aberta. :o)

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