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Um dia as empresas serão assim?

Estive na Fundação Nacional da Qualidade para mais um (sempre agradável) almoço com o amigo Filipe Cassapo, que toca a área de Gestão do Conhecimento da entidade.

No hall de entrada, não foi surpresa ver o painel abaixo, que resume o que a FNQ consolidou e defende como mudanças necessárias para as empresas estarem aptas a atuar no cenário atual, de um mundo hiperconectado e atento (finalmente) às questões que envolvem a sustentabilidade socio-ambiental:

Mudanças, segundo a FNQ

Com alguma boa vontade (a câmera do meu celular é de 1.3 Mpixels apenas…), dá para ler o texto das duas colunas, não?

Notem, na última linha, a mudança de uma TI de controle e automatização para uma rede que interliga pessoas e forma a inteligência societal, empresarial ou organizacional (dependendo da amplitude em que se olhe). É nesse sentido que sempre falo que intranets e portais corporativos são a nova dimensão de um uso da tecnologia onde a conexão de talentos é o maior valor agregado…

O que você achou? Quanto tempo vai demorar para chegarmos lá? São mesmo imperativos?

Add comment 31/Maio/2009

Você é ponte?

“Como”. Esse é o ponto que aflige a maioria das pessoas que se aventura (no bom sentido) em terrenos pouco navegados, como é o caso da gestão do conhecimento no contexto empresarial. E é também o ponto de interrogação que povoa a cabeça dos alunos do curso de Pós-graduação em Gestão do Conhecimento do SENAC-SP. Eles querem ser ponte entre a teoria e a prática – nada fácil, certamente.

Foi por isso que a Rose Longo, coordenadora do curso, convidou um time de peso para um debate com eles, que ocorreu ontem. Eram três pesos pesados da inteligência brasileira e eu – foi uma experiência e tanto interagir com tantas mentes brilhantes.

Filipe Cassapo (Fundação Nacional da Qualidade), que dispensa apresentações, Ladislau Dowbor (Economista renomado, com vários livros publicados e atuação marcante em ensino e organização de sistemas de planejamento) e Pedro Pontual (Educador com forte atuação social, principalmente pelo Instituto Pólis) navegaram por temas como emergência, diálogo, sociedade em rede e outros elementos que apontam para a virada que a Sociedade do Conhecimento representa. Mas engana-se quem pensa que a coisa ficou só na “viagem”: os exemplos de mobilização popular e de cases de empresas que estão surfando na onda da colaboração radical, com resultados excepcionais, pontuaram todos os discursos.

Quando a bola voltou a quicar mais perto da área do “como”, motivação inicial do debate, vi que era minha única chance de fazer valer, para os alunos, o convite que me foi feito. Minha chance de ser ponte para aqueles que buscam seu lugar como uma.

Embora eu considere fundamental ter a visão sistêmica e do contexto sócio-econômico (tanto que foi o tema da minha primeira aula lá no SENAC-SP, para esta mesma turma, em agosto, também a convite da Rose), me angustia ver que a realidade da grande maioria das empresas está tão impregnada do modelo industrial que as brechas para fazer a GC acontecer podem parecer pequenas demais (ou até inexistentes).

Por isso tenhho insistido na importância de localizarmos onde informação e conhecimento, conteúdo e colaboração, fazem real diferença para o negócio – e começar por ali. Fica mais fácil ser ponte se ligamos dois pontos mais próximos – os conceitos, métodos e instrumentos do mundo da Gestão do Conhecimento com as searas onde eles terão uma aplicação natural, já que são intensivas em conhecimento.

Esse foi o recado maior da minha fala – espero ter agregado. Curioso foi sentir, pela segunda vez este ano, que, naquele contexto, meu discurso parecia o mais conservador e reacionário de todos (já havia acontecido no World Web Expoforum, quando defendi que a aplicação da web 2.0 no mundo corporativo implica em uma leitura antropofágica que não raro leva a um uso mais regulado… quase apanhei… rs…).

Mas se fazer o papel de “advogado do diabo” contribuiu para colocar as coisas em perspectiva e para suscitar debate, vou dormir feliz. Afinal, não há ponte sem duas margens, não? ;o)

Add comment 18/Outubro/2008

Google Chrome – uma das peças que faltavam

Hoje tem tudo para ser um dia histórico. O dia em que foi dado um grande passo para fazer da web o tão falado “novo sistema operacional”. O dia em que o Google (sempre eles…) lançou o browser Chrome.

Já instalei e li os releases, bem como as apresentações que o Google preparou. Me pareceu rápido, mas apresentou alguns problemas quando eu fui editar uma página do Intranet Portal, que está baseado em Plone/Zope – o que não é o fim do mundo, principalmente para algo que está na versão 0.2, como é o caso do Chrome. Em contra-partida, lá está a inteligência emergente e probabilística típica do mundo 2.0, fazendo com que o navegador nos mostre automaticamente as páginas que temos visitado mais, toda vez que abrimos uma nova aba.

Mas o que há de mais relevante está acontecendo nos bastidores, com destaque para a separação de aplicações que rodem em janelas diferentes, a melhoria da segurança e a otimização da performance geral (e de Java, em particular).

Mal comparando, o Google resolveu agora um problema que também assolava nossos desktops, quando o mundo ainda era offline: se um aplicativo travasse, todos os outros eram afetados e, não raro, perdíamos trabalhos que estávamos fazendo utilizando a capacidade multitarefa. Como o Google identificou com maestria, a experiência na web agora não é mais de simples consulta a textos, mas de interatividade. Em outras palavras: nosso browser aciona aplicativos ao invés de simplesmente mostrar páginas html estáticas, como no passado. Assim, se um deles travar, não perderemos mais o que estávamos fazendo nas demais “janelas” (desculpando o trocadilho…). 

O mundo das intranets e portais corporativos certamente será afetado, principalmente se o Google conseguir reverter o quase monopólio do Internet Explorer. Mas o mais importante é realmente o fato de estarmos diante da primeira evolução significativa e estrutural alinhada aos conceitos de clowd computing, SaaS (Software as a Service) e web 2.0. O avanço do browser pode ser visto como um passo importante para a chamada “Internet 2″, onde teríamos a mesma rede global, mas agora mais sofisticada, segura e capaz de responder às demandas dos novos tempos (se a simplicidade da Internet fez dela o fenômeno que é, agora começa também a ser o principal obstáculo para o seu crescimento).

Portanto, mais do que pensar apenas em como será a interação das Suítes proprietárias de Portal (como as da Microsoft, IBM, Sap e Oracle) com o novo navegador, devemos nos perguntar até quando a idéia de uma Suíte proprietária de Portal fará sentido em um mundo de código cada vez mais aberto e de banda cada vez mais larga – sem falar na ampla gama de possibilidades que os mashups de softwares e fontes hospedados na web abrem para as organizações. Em verdade, a própria idéia de portal corporativo, da forma como conhecemos hoje, pode estar em xeque em poucos anos…

E você, o que acha? Dê uma olhada no discurso oficial do Google e depois deixe seus comentários!

Add comment 2/Setembro/2008

Sharepoint 2007: o novo Notes?

Não, você não leu errado. E, se vive no mundo de TI há uns 10 ou 15 anos, vai entender claramente a comparação.

Quem acompanhou o lançamento do MOSS 2007 (vulgo Sharepoint) sabe que houve muito burburinho em torno desta suíte de portal corporativo da Microsoft. Seria ela capaz de cumprir um bom papel no mundo web, onde certamente não está na dianteira? Seria o Sharepoint também uma ferramenta de ECM, como prega a fabricante?

Agora que um ano se passou, duas coisas são certas: o Sharepoint é o maior sucesso recente da empresa (afirmação dela própria e constatação prática deste que vos fala) e as preocupações quanto ao seu “uso indiscriminado” são crescentes. E é aqui que entra o Notes…

Ele foi uma das primeiras maravilhas corporativas da microinformática. Dominando sua linguagem e utilizando mais do que somente o correio eletrônico, era possível construir várias aplicações de forma rápida, com workflow, bases de documentos, alertas… e eis que a área de TI se viu incapaz de orquestrar seu uso, já que proliferavam usuários não-TI que dominavam a ferramenta.

Logo, logo, o que era maravilhoso se mostrou infernal. Simplesmente a sua grande facilidade, frente ao que existia na época, era o seu maior pró – e mostrou-se, logo depois, seu maior contra. Sem governança, sem arquitetura de integração, sem documentação, sem roadmap, o crescimento desordenado se tornou uma grande dor de cabeça. E ainda hoje o é, para muitas empresas que têm vários desenvolvimentos em Notes como legado.

Pois voltemos ao Sharepoint: pegue as análises recentes e os “alertas dos especialistas” a respeito dele, substitua a palavra “Sharepoint” por “Notes” nestes artigos e você verá que as duas realidades, separadas por vários anos, são muito similares. Fato é que a TI está disponibilizando o Sharepoint livremente e ele, que traz várias facilidades e é intuitivo em muitos aspectos, vai proliferando desordenadamente, gerando repositórios isolados, sem padronização, sem controle, sem roadmap, sem documentação… É a vitória do curtíssimo prazo, do pragmatismo exacerbado, sem qualquer visão sistêmica, sobre o planejamento evolutivo e o tratamento destes ambientes como algo orgânico. Qualquer semelhança não é mera coincidência.

Mas uma pergunta não quer calar: se já vivemos isso com o Notes, porque a TI repete o erro de entregar diretamente a ferramenta para os usuários?

E o pior: o mesmo já aconteceu nos primórdios das intranets. Em artigo de 1996, falando sobre “o fenômeno chamado intranet”, um dos cases apresentados como fantástico dava conta de que a FedEx já tinha 600 (!!!) intranets departamentais… o artigo trazia depoimentos dos gestores, falando do quanto era maravilhoso e simples usar o html e acessar pelo browser… Hoje, boa parte das empresas que me procuram querem justamente saber o que fazer com legados desordenados deste tipo, que de produtivos não têm nada…

O principal motivo para essa postura permissiva-omissa é bem claro: a TI se vê refém da sua tradicional incapacidade de ter a agilidade necessária para atender as demandas das áreas de negócio e prefere abrir mão da orquestração em nome de uma falaciosa idéia de estar cumprindo o seu papel, liberando a ferramenta (quando, na verdade, um de seus papéis mais nobres deveria ser justamente a orquestração…).

A diferença, nos dias atuais, é que já temos massa crítica e cases de portais CORPORATIVOS (leia-se: orquestrados) que mostram o caminho – mas ainda assim muitos insistem em repetir os erros do passado. O mais irônico é que, com um bom planejamento e utilizando de forma inteligente os processos de permissão e gestão, é perfeitamente possível dar ao usuário final muito poder e agilidade, mas sem abrir mão da orquestração sistêmica, inclusive usando o Sharepoint 2007.

Além disso, a TI continua caindo no canto da sereia dos fabricantes (que, na maioria das vezes, querem vender e cumprir a meta, custe o que custar) e continua achando que o importante é manter o servidor de e-mail no ar (e olha que o SaaS já é uma realidade). Se focasse mais no I, de ”Informação” (e Conhecimento) e menos no T (de ”Tecnologia”), pensaria duas vezes antes de sair distribuindo Sharepoint para as massas e colocaria os projetos de portal corporativo como elementos prioritários do seu planejamento, já que é tratando informação e conhecimento, com vistas à inteligência coletiva e à inovação, que se agrega efetivo valor ao negócio. Pensar em um projeto de portal é pensar na governança, orquestração e evolução destes ambientes web corporativos que, bem arquitetados, são uma das mais importantes ferramentas para empresas que querem ampliar a sua competitividade neste mundo hiperlinkado.

E você? Ainda confunde sistema crítico-comoditizado (como o e-mail) com estratégico? Então certamente o caos informacional está se formando bem debaixo do seu nariz - e, o que é pior, com a sua bênção…

2 comments 22/Agosto/2008

Do que estamos falando?

Responda rápido: quando você pensa em intranet ou portal corporativo, que temas vêm a sua mente? Do que estamos falando, afinal?

Quem está acostumado com o recurso de “nuvem de tags”, funcionalidade típica da web 2.0, sabe que é um dos melhores inventos para traduzir o universo semântico de um ambiente digital. Em outras palavras: através da categorização, o sistema consegue nos mostrar, de forma automática, quais são os temas mais recorrentes.

Que tal, então, pensar numa “nuvem de tags” relacionada a intranets e portais corporativos avançados? Foi esse exercício que eu fiz, refletido na imagem abaixo (que é o último slide do meu workshop, tentando sintetizar tudo que foi dito nos dois dias):

Nuvem de tags dos portais avançados

Nuvem de tags dos portais avançados

Para facilitar a visualização, utilizei também cores, além do tradicional uso do tamanho da fonte. No caso acima, as cores agrupam elementos complementares e o tamanho indica grau de importância estratégica. A proximidade dos termos também tem significado, mostrando itens que se relacionam de alguma forma (ex: categorização – conteúdo – personalização).

Como se vê, falar em portais avançados é falar, principalmente, em coisas como Inteligência Coletiva e Competitividade no Século XXI – e não meramente em uma ferramenta de TI ou em um mural de comunicados, como muita gente ainda pensa (infelizmente). O portal deve ambicionar guardar “o conhecimento em nuvem” (fazendo uma analogia agora com o conceito de ”computação em nuvem”) da organização, oferecendo agilidade e capilaridade para fomentar a inovação. É disso que estamos falando…

Add comment 18/Agosto/2008

Debate sobre SaaS no Comitê de CIO´s do WTC

O que 35 CIO´s de companhias tão diferentes quanto GM, Avaya, CVC e Ernest & Young, dentre outras, têm em comum com o modelo de Software como Serviço? Simples: todos terão (e já estão tendo) a vida afetada por ele, em maior ou menor grau. Foi o que ficou claro no evento de hoje, no Comitê de CIO´s que o Clube de Negócios do WTC organiza mensalmente. 

O Comitê promove a integração destes profissionais, estimula o benchmarking e viabiliza debates sobre tendências, a partir da apresentação inicial de um especialista – tive a honra de ocupar este papel, a convite do Presidente do Comitê (e CIO da GM), Claudio Martins, a quem reitero, aqui, o meu agradecimento. 

Falei do ecossistema que está em torno da idéia de SaaS (sigla em Inglês para Software como Serviço). Explorei os pressupostos da economia digital em rede (como o conceito de Cauda Longa) que viabilizam o modelo e procurei mostrar o quanto ele está ligado, do ponto de vista estrutural, a questões como cloud computing, dispositivos locais com alto poder de processamento e acesso em banda larga.

Do outro lado, apoiado na visão de Nicholas Carr, mostrei a oportunidade que essa mudança de paradigma representa para a área de TI, na medida em que ela pode se desonerar de funções menos nobres, voltadas para a base da sua “pirâmide de Maslow” (como infra e controle), focando a tecnologia como elemento promotor de informação e conhecimento, para a inovação.

Afinal, ter e-mail 24 x 7 é fundamental e crítico – mas, ao contrário do que essa lógica de criticidade induz, não é estratégico (uma vez que todos têm e-mail, torna-se apenas um patamar de qualidade mínima, mas não leva a organização à frente, não é diferencial competitivo…). Por outro lado, há uma perspectiva clara de que as áreas de TI fiquem menores do que são hoje – o que muitas vezes é visto como ameaça…

E o que isso tem a ver com portais e o trinômio Integração + Conteúdo + Colaboração? A proposta de integração, neste novo cenário, se dará não só com os legados internos, mas também com o universo de serviços consumidos externamente. A Arquitetura da Integração e a decisão sobre o balanceamento do que fica interno e do que deve ser terceirizado (em nome de uma redução do custo total, principalmente) passam, portanto, a ser funções nobres do CIO, que não precisará mais ver seu dia-a-dia ser dragado com preocupações de infra, por mais importantes que elas sejam.

Ao final, conseguimos, juntos, no debate, desconstruir alguns mitos, como o que coloca os riscos de uma solução terceirizada como empecilho: ficou claro que não há maior mito do que a idéia de que há segurança efetiva no modelo atual, interno… Sem falar que nós, como pessoas físicas, por exemplo, já colocamos informações críticas nas mãos de terceiros (como no uso de um Internet Banking) – e empresas já usam Salesforce.com mesmo sabendo que os históricos de relacionamento com o cliente representam uma verdadeira mina de ouro… Outro mito que caiu foi o de que SaaS é algo só para pequenas e médias empresas – em verdade, os quatro big players estão investindo pesao e a Oracle, por exemplo, estima que 50% da sua receita virá do modelo de serviço em poucos anos…

Bom também foi ver que, se fugirmos de posições dogmáticas sobre o tema, pode haver ganhos efetivos. É só não achar que tudo tem que virar SaaS. É só refletir bem para ver quando vale a pena e quando modelos híbridos podem ser aplicados. E estar atento para a evolução dos fatores que viabilizam SaaS, já que estamos na infância deste processo.

Como se vê, foi um encontro de alto nível, produtivo e esclarecedor. Muito bom – e gratificante – ter podido participar de algo assim.

Add comment 10/Julho/2008

Intensivas em Conhecimento e a Pirâmide de Maslow da TI Corporativa

O que faz uma empresa estar mais interessada em intranets e portais corporativos? O que há de comum entre aquelas que me procuram - e que são mais suscetíveis às ofertas de valor de um ambiente como este? Essas são perguntas recorrentes para mim, na atuação diária como consultor.

Um primeiro ponto é mais óbvio: as intensivas em conhecimento (como bem definiu Peter Drucker) são candidatíssimas a investir em intranets e portais corporativos. É fácil perceber o porquê: informação e conhecimento, para elas, não são coisas acessórias, mas constituem, isso sim, seu motor. Pense no Sebrae, na Fiocruz e no ONS e você verá que o core deles é processar informação, tomar decisão e gerar conhecimento. Portanto, têm muitas necessidades em comum (todas atendidas por intranets e portais robustos), embora sejam de segmentos verticais de negócio tão díspares.

Não por acaso a pesquisa IMP (Índice de Maturidade dos Portais Corporativos), que coordeno há três anos, mostra que grandes empresas do setor de serviço são as mais interessadas em intranets e portais corporativos robustos. De um lado, seu universo de conteúdos é grande o suficiente para beirar o caos. E, de outro, o que é serviço se não know-how, “fazer em lugar de você” – conhecimento? Integração, Conteúdo e Colaboração, no caso delas, são a diferença real entre ser mais ou menos eficaz e competitiva. A música que vem destes ambientes soa, nestes casos, como um grito primal.

Para as demais, em que o uso de informação e conhecimento é uma parte menor do que o todo, um outro aspecto é determinante. Está relacionado a outro grau de maturidade: o das necessidades básicas da estrutura de Tecnologia da Informação, funcionando tal qual uma “pirâmide de Maslow” da TI - um paralelo com a famosa Pirâmide de Maslow.

Maslow criou uma abordagem simples (alguns diriam “simplista”…) para demonstrar que algumas necessidades “superiores” só ganham nossa atenção quando as mais básicas estão satisfeitas. Se tenho fome ou sede, fica bem mais difícil (embora não impossível) pensar em auto-realização, não?

Com as empresas (e a área de TI, em particular), acontece algo semelhante: muitas se vêem atormentadas com problemas de segurança e infra-estrutura - a primeira camada da sua pirâmide de Maslow particular.  Se a infra não está resolvida, drena suas energias e as torna incapazes de dar a devida atenção a temas mais estratégicos. Com o enxugamento dos quadros, muitas vezes o dilema é cuidar da atualização do anti-vírus ou apoiar as áreas de negócio – quando a TI acaba se tornando um fim em si mesma e não conseguindo se livrar do aspecto operacional.

Se a infra está na base da pirâmide de Maslow da TI, os sistemas de controle são certamente a sua segunda camada. A grande estrela aí é o ERP, fiscalizando e patrulhando tudo que se refira à gestão em seu sentido estrito. Como um dos grandes legados da Era Industrial é a obsessão por controle (vide os supervisores cronometrando o tempo gasto pelos operários na esteira da fábrica), muitos acham que isso é o melhor que a TI tem para oferecer à empresa. Já estamos falando de uma abordagem tática, avançando para a estratégica. Mas a tecnologia da informação pode mais.

A terceira (e talvez última) camada da “Pirâmide de Maslow da TI” são os sistemas que oferecem suporte à gestão da informação e do conhecimento – e, por conseguinte, à inovação (direta ou indiretamente).

É nesta seara que se encontram as intranets e portais corporativos avançados, em sua tríade de integração-conteúdo-colaboração, com proposições únicas de valor. Aqui a tecnologia da informação (e a área de TI) se torna realmente estratégica.

Portanto, se uma empresa não é intensiva em conhecimento, vai ser bem mais difícil fazer a TI pensar em conhecimento, a não ser que já tenha vencido os desafios de infra e de controle. Se, ao contrário, informação e conhecimento são primordiais para seu funcionamento, então a empresa forçará a TI a dedicar atenção especial a intranets e portais mesmo que ainda tenham problemas na base da pirâmide (em verdade, para as intensivas, intranets e portais corporativos são a grande base da pirâmide…).

Add comment 30/Junho/2008

Carr e o fim da TI como conhecemos

Escrevi, recentemente, um post sobre computação em nuvem, software como serviço e o impacto disso na vida dos departamentos de TI. Agora, uma matéria do Valor mostra Nicholas Carr (o mesmo que escreveu o livro “TI não importa” e abalou o mercado, anos atrás) apostando também em um futuro onde tecnologia da informação será um serviço como a eletricidade.

Confiram um trecho da matéria (com grifos meus) e tirem suas próprias conclusões…

(…) Embora concordem que boa parte das operações internas de tecnologia tende a migrar para as mãos de terceiros – companhias quem prestam serviços em vez de vender produtos -, os diretores de tecnologia são uníssonos em alegar que “funções estratégicas” permanecerão dentro das empresas. Em entrevista exclusiva ao Valor, por telefone, Carr faz ponderações sobre o tema. Na realidade, diz ele, a tendência é que sobrem poucas pessoas nos departamentos de tecnologia das empresas. “A maioria delas, pelo caráter operacional, vai mudar de lado e migrar para os prestadores de serviços.” A questão é que não deverá haver espaço para tanta gente assim. Quanto à necessidade de contato direto entre diretores de TI e presidentes de empresas, Carr afirma que, no dia-a-dia, “essa relação é algo raro” devido ao conhecimento desses profissionais. “A maior parte dos líderes de tecnologia não tem perfil de negócios; essas pessoas sabem que, se quiserem sobreviver, terão que mudar de postura.”

Depois de desbancar o papel estratégico da tecnologia, Carr agora volta à cena com mais um petardo contra os modos tradicionais de comprar e lidar com tecnologia. Em seu livro publicado recentemente nos Estados Unidos – “The big switch: rewiring the world, from Edison to Google” (algo como “A grande virada: reconectando o mundo, de Edison ao Google”), Carr defende a idéia de que a internet irá centralizar tudo aquilo que hoje está instalado em computadores. Sistemas operacionais, planilhas de textos e de cálculos, correio eletrônico, músicas, fotos: tudo fará parte da chamada “cloud computing“, a nuvem digital que será acessada por qualquer dispositivo. A idéia é que a infra-estrutura tecnológica, por mais complexa que seja, passe a ser tratada como um serviço de utilidade, remunerada da mesma forma como acontece com uma conta mensal de energia, água ou gás. Carr lembra que, 100 anos atrás, empresas deixaram de investir em seus próprios geradores de energia para plugar as tomadas em estruturas externas, mudando completamente a forma como o mercado funcionava. “Começamos a perceber esse tipo de movimento hoje quando empresas como o Google decidem oferecer ferramentas de textos e planilhas via internet, sem a necessidade de baixar sistemas”, diz ele.

Então por que o Google tem encontrado dificuldades para emplacar seus sistemas via internet? As pessoas não estariam prontas para isso? “É uma pergunta difícil de responder, mas o que já podemos afirmar é que se trata de um caminho claro.” Bill Gates criou a Microsoft, maior companhia de software do mundo, vendendo licenças de programas como Windows e Office. Mas, segundo Carr, esse modelo de negócios vai se exaurir. “Acredito que em dez anos o modelo de licenças não existirá mais.” Segundo o executivo, a migração de sistemas e serviços para a internet é o que está por trás de planos como o de Steve Ballmer, o executivo-chefe da Microsoft, para adquirir o Yahoo. “A Microsoft vê nessa transação a oportunidade de crescer rápido na internet e gerar receita com publicidade, uma fonte ainda pequena para ela.” A boa notícia, diz Carr, é que a “computação nas nuvens” permitirá que sistemas sofisticados e até agora restritos a grandes empresas tornem-se acessíveis a pequenos negócios, o que irá favorecer países como o Brasil. “Certamente há variações de tempo entre mudanças que vemos nos Estados Unidos e no Brasil, mas não há dúvidas de que elas chegarão.”

Em tempo: o Gartner, em seus mais recentes eventos, também tem apontado para esta tendência…

Como já disse no post passado, podemos também utilizar as mudanças ocorridas no mercado publicitário como referência: a maioria das empresas tinha agências inteiras dentro de casa (as chamadas “houses”), mas hoje isso é uma absoluta raridade. Os profissionais migraram quase todos para prestadores de serviços especializados (e, dentro das empresas, o departamento é absolutamente cerebral e voltado para gerenciar os terceiros – igual futuro aguarda a TI…).

1 comment 12/Junho/2008

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Responda rápido: Intranet, Portal Corporativo, "Portal, Content and Collaboration", Enterprise 2.0 e/ou Gestão do Conhecimento são temas do seu interesse?

Pois então temos muito em comum: eles são a minha praia, figurinhas freqüentes nestas paragens.

Entretanto, o "INTRA", do título, quer dizer também "por dentro": da vida (corporativa e pessoal), da sociedade louca, da nova era e de tudo que os olhos possam tocar ou que a mente possa vislumbrar. E o "2.0" que o complementa é uma alusão à evolução do meio digital e também a sinalização de que este é meu segundo blog...

Vago? Fragmentado? Nada mais blog. Nada mais urbano e aquariano. Estou em casa - e a porta está aberta. :o)

Ricardo Saldanha

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