Posts filed under 'Gestão do Conhecimento'
Salve, Sérgio!
Sérgio Storch é amigo do peito e grande parceiro. E agora também é blogeiro! Arregaçou as mangas e colocou no ar o ótimo ”Vou vivendo – Gestão do Conhecimento dá samba…“, que recomendo.
Gostei do tom caloroso, olho no olho e direto. Some-se isso a inteligência e a sensibilidade ímpares do Sérgio e temos um ótimo espaço para debater e refletir.
É isso aí, Sergio!
)
Add comment 19/Janeiro/2009
Você é ponte?
“Como”. Esse é o ponto que aflige a maioria das pessoas que se aventura (no bom sentido) em terrenos pouco navegados, como é o caso da gestão do conhecimento no contexto empresarial. E é também o ponto de interrogação que povoa a cabeça dos alunos do curso de Pós-graduação em Gestão do Conhecimento do SENAC-SP. Eles querem ser ponte entre a teoria e a prática – nada fácil, certamente.
Foi por isso que a Rose Longo, coordenadora do curso, convidou um time de peso para um debate com eles, que ocorreu ontem. Eram três pesos pesados da inteligência brasileira e eu – foi uma experiência e tanto interagir com tantas mentes brilhantes.
Filipe Cassapo (Fundação Nacional da Qualidade), que dispensa apresentações, Ladislau Dowbor (Economista renomado, com vários livros publicados e atuação marcante em ensino e organização de sistemas de planejamento) e Pedro Pontual (Educador com forte atuação social, principalmente pelo Instituto Pólis) navegaram por temas como emergência, diálogo, sociedade em rede e outros elementos que apontam para a virada que a Sociedade do Conhecimento representa. Mas engana-se quem pensa que a coisa ficou só na “viagem”: os exemplos de mobilização popular e de cases de empresas que estão surfando na onda da colaboração radical, com resultados excepcionais, pontuaram todos os discursos.
Quando a bola voltou a quicar mais perto da área do “como”, motivação inicial do debate, vi que era minha única chance de fazer valer, para os alunos, o convite que me foi feito. Minha chance de ser ponte para aqueles que buscam seu lugar como uma.
Embora eu considere fundamental ter a visão sistêmica e do contexto sócio-econômico (tanto que foi o tema da minha primeira aula lá no SENAC-SP, para esta mesma turma, em agosto, também a convite da Rose), me angustia ver que a realidade da grande maioria das empresas está tão impregnada do modelo industrial que as brechas para fazer a GC acontecer podem parecer pequenas demais (ou até inexistentes).
Por isso tenhho insistido na importância de localizarmos onde informação e conhecimento, conteúdo e colaboração, fazem real diferença para o negócio – e começar por ali. Fica mais fácil ser ponte se ligamos dois pontos mais próximos – os conceitos, métodos e instrumentos do mundo da Gestão do Conhecimento com as searas onde eles terão uma aplicação natural, já que são intensivas em conhecimento.
Esse foi o recado maior da minha fala – espero ter agregado. Curioso foi sentir, pela segunda vez este ano, que, naquele contexto, meu discurso parecia o mais conservador e reacionário de todos (já havia acontecido no World Web Expoforum, quando defendi que a aplicação da web 2.0 no mundo corporativo implica em uma leitura antropofágica que não raro leva a um uso mais regulado… quase apanhei… rs…).
Mas se fazer o papel de “advogado do diabo” contribuiu para colocar as coisas em perspectiva e para suscitar debate, vou dormir feliz. Afinal, não há ponte sem duas margens, não? ;o)
Add comment 18/Outubro/2008
Sharepoint 2007: o novo Notes?
Não, você não leu errado. E, se vive no mundo de TI há uns 10 ou 15 anos, vai entender claramente a comparação.
Quem acompanhou o lançamento do MOSS 2007 (vulgo Sharepoint) sabe que houve muito burburinho em torno desta suíte de portal corporativo da Microsoft. Seria ela capaz de cumprir um bom papel no mundo web, onde certamente não está na dianteira? Seria o Sharepoint também uma ferramenta de ECM, como prega a fabricante?
Agora que um ano se passou, duas coisas são certas: o Sharepoint é o maior sucesso recente da empresa (afirmação dela própria e constatação prática deste que vos fala) e as preocupações quanto ao seu “uso indiscriminado” são crescentes. E é aqui que entra o Notes…
Ele foi uma das primeiras maravilhas corporativas da microinformática. Dominando sua linguagem e utilizando mais do que somente o correio eletrônico, era possível construir várias aplicações de forma rápida, com workflow, bases de documentos, alertas… e eis que a área de TI se viu incapaz de orquestrar seu uso, já que proliferavam usuários não-TI que dominavam a ferramenta.
Logo, logo, o que era maravilhoso se mostrou infernal. Simplesmente a sua grande facilidade, frente ao que existia na época, era o seu maior pró – e mostrou-se, logo depois, seu maior contra. Sem governança, sem arquitetura de integração, sem documentação, sem roadmap, o crescimento desordenado se tornou uma grande dor de cabeça. E ainda hoje o é, para muitas empresas que têm vários desenvolvimentos em Notes como legado.
Pois voltemos ao Sharepoint: pegue as análises recentes e os “alertas dos especialistas” a respeito dele, substitua a palavra “Sharepoint” por “Notes” nestes artigos e você verá que as duas realidades, separadas por vários anos, são muito similares. Fato é que a TI está disponibilizando o Sharepoint livremente e ele, que traz várias facilidades e é intuitivo em muitos aspectos, vai proliferando desordenadamente, gerando repositórios isolados, sem padronização, sem controle, sem roadmap, sem documentação… É a vitória do curtíssimo prazo, do pragmatismo exacerbado, sem qualquer visão sistêmica, sobre o planejamento evolutivo e o tratamento destes ambientes como algo orgânico. Qualquer semelhança não é mera coincidência.
Mas uma pergunta não quer calar: se já vivemos isso com o Notes, porque a TI repete o erro de entregar diretamente a ferramenta para os usuários?
E o pior: o mesmo já aconteceu nos primórdios das intranets. Em artigo de 1996, falando sobre “o fenômeno chamado intranet”, um dos cases apresentados como fantástico dava conta de que a FedEx já tinha 600 (!!!) intranets departamentais… o artigo trazia depoimentos dos gestores, falando do quanto era maravilhoso e simples usar o html e acessar pelo browser… Hoje, boa parte das empresas que me procuram querem justamente saber o que fazer com legados desordenados deste tipo, que de produtivos não têm nada…
O principal motivo para essa postura permissiva-omissa é bem claro: a TI se vê refém da sua tradicional incapacidade de ter a agilidade necessária para atender as demandas das áreas de negócio e prefere abrir mão da orquestração em nome de uma falaciosa idéia de estar cumprindo o seu papel, liberando a ferramenta (quando, na verdade, um de seus papéis mais nobres deveria ser justamente a orquestração…).
A diferença, nos dias atuais, é que já temos massa crítica e cases de portais CORPORATIVOS (leia-se: orquestrados) que mostram o caminho – mas ainda assim muitos insistem em repetir os erros do passado. O mais irônico é que, com um bom planejamento e utilizando de forma inteligente os processos de permissão e gestão, é perfeitamente possível dar ao usuário final muito poder e agilidade, mas sem abrir mão da orquestração sistêmica, inclusive usando o Sharepoint 2007.
Além disso, a TI continua caindo no canto da sereia dos fabricantes (que, na maioria das vezes, querem vender e cumprir a meta, custe o que custar) e continua achando que o importante é manter o servidor de e-mail no ar (e olha que o SaaS já é uma realidade). Se focasse mais no I, de ”Informação” (e Conhecimento) e menos no T (de ”Tecnologia”), pensaria duas vezes antes de sair distribuindo Sharepoint para as massas e colocaria os projetos de portal corporativo como elementos prioritários do seu planejamento, já que é tratando informação e conhecimento, com vistas à inteligência coletiva e à inovação, que se agrega efetivo valor ao negócio. Pensar em um projeto de portal é pensar na governança, orquestração e evolução destes ambientes web corporativos que, bem arquitetados, são uma das mais importantes ferramentas para empresas que querem ampliar a sua competitividade neste mundo hiperlinkado.
E você? Ainda confunde sistema crítico-comoditizado (como o e-mail) com estratégico? Então certamente o caos informacional está se formando bem debaixo do seu nariz - e, o que é pior, com a sua bênção…
2 comments 22/Agosto/2008
Do que estamos falando?
Responda rápido: quando você pensa em intranet ou portal corporativo, que temas vêm a sua mente? Do que estamos falando, afinal?
Quem está acostumado com o recurso de “nuvem de tags”, funcionalidade típica da web 2.0, sabe que é um dos melhores inventos para traduzir o universo semântico de um ambiente digital. Em outras palavras: através da categorização, o sistema consegue nos mostrar, de forma automática, quais são os temas mais recorrentes.
Que tal, então, pensar numa “nuvem de tags” relacionada a intranets e portais corporativos avançados? Foi esse exercício que eu fiz, refletido na imagem abaixo (que é o último slide do meu workshop, tentando sintetizar tudo que foi dito nos dois dias):
Para facilitar a visualização, utilizei também cores, além do tradicional uso do tamanho da fonte. No caso acima, as cores agrupam elementos complementares e o tamanho indica grau de importância estratégica. A proximidade dos termos também tem significado, mostrando itens que se relacionam de alguma forma (ex: categorização – conteúdo – personalização).
Como se vê, falar em portais avançados é falar, principalmente, em coisas como Inteligência Coletiva e Competitividade no Século XXI – e não meramente em uma ferramenta de TI ou em um mural de comunicados, como muita gente ainda pensa (infelizmente). O portal deve ambicionar guardar “o conhecimento em nuvem” (fazendo uma analogia agora com o conceito de ”computação em nuvem”) da organização, oferecendo agilidade e capilaridade para fomentar a inovação. É disso que estamos falando…
Add comment 18/Agosto/2008
Intensivas em Conhecimento e a Pirâmide de Maslow da TI Corporativa
O que faz uma empresa estar mais interessada em intranets e portais corporativos? O que há de comum entre aquelas que me procuram - e que são mais suscetíveis às ofertas de valor de um ambiente como este? Essas são perguntas recorrentes para mim, na atuação diária como consultor.
Um primeiro ponto é mais óbvio: as intensivas em conhecimento (como bem definiu Peter Drucker) são candidatíssimas a investir em intranets e portais corporativos. É fácil perceber o porquê: informação e conhecimento, para elas, não são coisas acessórias, mas constituem, isso sim, seu motor. Pense no Sebrae, na Fiocruz e no ONS e você verá que o core deles é processar informação, tomar decisão e gerar conhecimento. Portanto, têm muitas necessidades em comum (todas atendidas por intranets e portais robustos), embora sejam de segmentos verticais de negócio tão díspares.
Não por acaso a pesquisa IMP (Índice de Maturidade dos Portais Corporativos), que coordeno há três anos, mostra que grandes empresas do setor de serviço são as mais interessadas em intranets e portais corporativos robustos. De um lado, seu universo de conteúdos é grande o suficiente para beirar o caos. E, de outro, o que é serviço se não know-how, “fazer em lugar de você” – conhecimento? Integração, Conteúdo e Colaboração, no caso delas, são a diferença real entre ser mais ou menos eficaz e competitiva. A música que vem destes ambientes soa, nestes casos, como um grito primal.
Para as demais, em que o uso de informação e conhecimento é uma parte menor do que o todo, um outro aspecto é determinante. Está relacionado a outro grau de maturidade: o das necessidades básicas da estrutura de Tecnologia da Informação, funcionando tal qual uma “pirâmide de Maslow” da TI - um paralelo com a famosa Pirâmide de Maslow.
Maslow criou uma abordagem simples (alguns diriam “simplista”…) para demonstrar que algumas necessidades “superiores” só ganham nossa atenção quando as mais básicas estão satisfeitas. Se tenho fome ou sede, fica bem mais difícil (embora não impossível) pensar em auto-realização, não?
Com as empresas (e a área de TI, em particular), acontece algo semelhante: muitas se vêem atormentadas com problemas de segurança e infra-estrutura - a primeira camada da sua pirâmide de Maslow particular. Se a infra não está resolvida, drena suas energias e as torna incapazes de dar a devida atenção a temas mais estratégicos. Com o enxugamento dos quadros, muitas vezes o dilema é cuidar da atualização do anti-vírus ou apoiar as áreas de negócio – quando a TI acaba se tornando um fim em si mesma e não conseguindo se livrar do aspecto operacional.
Se a infra está na base da pirâmide de Maslow da TI, os sistemas de controle são certamente a sua segunda camada. A grande estrela aí é o ERP, fiscalizando e patrulhando tudo que se refira à gestão em seu sentido estrito. Como um dos grandes legados da Era Industrial é a obsessão por controle (vide os supervisores cronometrando o tempo gasto pelos operários na esteira da fábrica), muitos acham que isso é o melhor que a TI tem para oferecer à empresa. Já estamos falando de uma abordagem tática, avançando para a estratégica. Mas a tecnologia da informação pode mais.
A terceira (e talvez última) camada da “Pirâmide de Maslow da TI” são os sistemas que oferecem suporte à gestão da informação e do conhecimento – e, por conseguinte, à inovação (direta ou indiretamente).
É nesta seara que se encontram as intranets e portais corporativos avançados, em sua tríade de integração-conteúdo-colaboração, com proposições únicas de valor. Aqui a tecnologia da informação (e a área de TI) se torna realmente estratégica.
Portanto, se uma empresa não é intensiva em conhecimento, vai ser bem mais difícil fazer a TI pensar em conhecimento, a não ser que já tenha vencido os desafios de infra e de controle. Se, ao contrário, informação e conhecimento são primordiais para seu funcionamento, então a empresa forçará a TI a dedicar atenção especial a intranets e portais mesmo que ainda tenham problemas na base da pirâmide (em verdade, para as intensivas, intranets e portais corporativos são a grande base da pirâmide…).
Add comment 30/Junho/2008
Agregando valor em ambientes digitais corporativos – Colaboração e a visão do todo (última parte)
Com este último post da série, vamos dar conta da palavra da moda: “colaboração“. De certa forma, é também a “última fronteira”, o mais novo e menos explorado dos três grandes pilares de agregação de valor em um portal.
O que poucas pessoas percebem, em função do hype em torno da idéia de colaboração mediada por tecnologia, é que a idéia em si perde muito da sua força se não for associada a uma visão estruturada e integrada de uso e reuso dos conteúdos.

No círculo da colaboração, como se vê acima, cabem a localização de especialistas, a aproximação de talentos e a troca de conhecimento tácito. Mas o pulo do gato está na fronteira com o círculo da gestão de conteúdo, onde moram a aprendizagem organizacional, a gestão do conhecimento e a inovação.
Esse é um dos motivos, por exemplo, do sucesso da web 2.0 (e, em seguida, da sua aplicação na corporação, sob o nome de Enterprise 2.0): wiki é conteúdo ou colaboração? E blog? São as duas coisas ao mesmo tempo… daí a sua força.
Já a fronteira com a tecnologia tem as tradicionais ferramentas de fórum, mas agora incorporam a irmã mais nova das yellow pages, que são as redes sociais. E mais as outras ferramentas que acabei de citar (e que, verdadeiramente, ficariam melhor no centro do que aqui, mas serve para os nossos fins didáticos, por assim dizer).
Podemos, inclusive, pensar a veia da Tecnologia, com seu apelo forte em integração e acesso a legados, como um tipo diferente de acesso a conteúdos – aqueles que já foram sistematizados e encontram-se nos demais sistemas da organização.
É incrível ver como a colaboração ainda é um terreno a desbravar, por mais que a vocação revolucionária dos ambientes digitais (iniciando com a internet) venha justamente daí.
OLHANDO O TODO
O fato é que, no diagrama acima, o poder total está mesmo no centro superposto dos três círculos. Conhecimento passado e presente em profusão, orquestrado, sem deixar de ser emergente, à disposição da organização e do trabalhador do conhecimento.
Essa é a meta maior de uma intranet avançada ou de um portal corporativo. Essas são as principais proposições únicas de valor de um ambiente como este – algo que nenhum outro sistema faz pela organização.
Em tempo: é justamente atrás de ambientes assim que nós estamos, ao criarmos o Prêmio Intranet Portal. E, como sabemos também que alcançar um estágio maduro depende de uma escalada evolutiva, criamos categorias de premiação para quem se destaca em cada um dos três pilares (Integração em TI, Conteúdo ou Colaboração), além daqueles que estão avançados em Enterprise 2.0 (uso da web 2.0 no contexto digital corporativo).
3 comments 10/Junho/2008
Enterprise 2.0 = GC 2.0?
Pessoal, vale dar uma olhada nestes slides da AIIM, em particular nos resultados das pesquisas…
E aí, o que você acha? A Enterprise 2.0 é a segunda chance da Gestão do Conhecimento nas organizações?
Add comment 11/Abril/2008
“Gestão do Conhecimento em Organizações: proposta de mapeamento conceitual integrativo”
Este é o título do recém-lançado livro do super-competente amigo Rivadávia Alvarenga Neto – fato tão digno de nota que resolvi incluir este post em meio à série em que trato da tríade tecnologia-conteúdo-colaboração.
Riva, para os “íntimos”, é um mineiro bem-humorado e sagaz, colega de SBGC com Doutorado focado em GC. Sua tese ”Investiga a temática denominada ´Gestão do Conhecimento´ (GC) em três grandes organizações atuantes no Brasil, procurando discutir seu conceito, elementos constituintes, áreas fronteiriças e interfaces, origens, abordagens gerenciais e ferramentas, dinâmica e demais aspectos, pari passu ao distanciamento da discussão puramente terminológica, de viés ingênuo, ensimesmado e inócuo.” – como se vê por este trecho, que dá início ao resumo da tese, trata-se de uma pesquisador que está indo fundo, sem se deixar levar por modismos ou abordagens pueris.
Portanto, no melhor estilo “ainda não li, mas já gostei”, recomendo fortemente a leitura de “Gestão do Conhecimento em Organizações: proposta de mapeamento conceitual integrativo“, já à venda na Saraiva.
Estou aguardando, ansioso, a data da noite de autógrafos em Sampa - prometo divulgar aqui. Já em BH, o lançamento será em 5 de maio; no dia 7 do mesmo mês, será a vez de Contagem, na Faculdade UNA.
Parabéns, Riva – e obrigado!
1 comment 5/Março/2008



