A web 2.0 por trás do firewall
Quem milita no segmento de intranets e portais corporativos já deve conhecer Jane McConnell - ela mantém um blog muito interessante e faz uma ampla survey sobre intranets anualmente.
Recentemente, Jane palestrou no Intranet 2.0 Forum, realizado em Londres, em junho. Os slides que se seguem foram a base da apresentação e contém não só resultados da pesquisa, mas também alguma conclusões interessantes:
Dentre o rico material apresentado, duas coisas me chamaram atenção especial, ambas relacionadas entre si: a frase do Diretor do Gartner (”Business need a place between the rigid and the chaotic”) e a postura da Jane de fazer o que chamo de “leitura antropofágica” das ferramentas da web 2.0 para sua aplicação no ainda regulado e proprietário mundo corporativo.
Web 2.0, Intranet 2.0 ou Enterprise 2.0 (como prefira chamar) será cada vez mais parte de uma solução maior (que eu ainda teimo em chamar de portal corporativo avançado) - não um substituto para todas as intranets do mundo, como os amantes do hype gostam de alardear… Aposto minhas fichas nisso.
E você, o que acha? E quanto aos slides, do que mais gostou?
P.S. - E no Brasil, como será que anda o uso das ditas “ferramentas sociais”? Parte dessa resposta virá com o resultado do Prêmio Intranet Portal 2008 - os jurados estão avaliando os cases neste instante… Uma das categorias de premiação será justamente “Enterprise 2.0″ - quem será o grande vencedor? Se quiser ver em primeira mão a apresentação dos melhores do país, não deixe de reservar sua vaga na Conferência “Colaboração, Conteúdo e Integração”, que acontecerá em14/11, em Sampa! Será um momento de aprendizagem, benchmarking e networking, encerrando o ciclo da premiação - vejo vc lá? ;o)
Add comment 8/Outubro/2008
Dia 14/11 você vai conhecer os melhores cases do Brasil!
Vem aí o evento “Colaboração, Conteúdo e Integração”, que fechará o ciclo do Prêmio Intranet Portal 2008.
Não será uma mera cerimônia de entrega de troféus, mas sim um momento único para aprendizado, benchmarking e networking. Além disso, nunca houve um evento deste porte no Brasil, com cases de qualidade assegurada, visto que só teremos os grandes vencedores se apresentando.
ATRAÇÕES
O evento acontecerá no dia 14 de novembro, no Hotel Golden Tulip Paulista Plaza, em São Paulo. Além de conhecer o vencedor do Grand Prix e ver os demais premiados recebendo suas estatuetas, teremos:
- Apresentações, em detalhes, de todos os cinco vencedores
- Palestra sobre tendências do segmento
- Debate sobre fatores críticos de sucesso e melhores práticas
Ou seja: será um evento totalmente diferenciado, top de linha, reunindo a fina flor do mercado.
POLÍTICA DE DESCONTOS
Todas as pessoas físicas cadastradas no site Intranet Portal terão 30% de desconto para inscrições realizadas até 31 de outubro. E todas as pessoas jurídicas associadas à SBGC, Sucesu-SP ou Sucesu-SC (entidades que apóiam a premiação) também poderão inscrever participantes com descontos especiais.
Os detalhes, bem como as fichas de inscrição, podem ser vistos na página do evento em: http://www.premiointranetportal.com/evento
As vagas são limitadas, inscreva-se já! Espero vocês lá!
P.S. - Vale destacar que as inscrições dos cases para concorrerem aos cinco prêmios ainda ficarão abertas até o dia 26/09. Corra, ainda dá tempo de inscrever o seu! Detalhes em www.premiointranetportal.com.br
Add comment 11/Setembro/2008
Google Chrome - uma das peças que faltavam
Hoje tem tudo para ser um dia histórico. O dia em que foi dado um grande passo para fazer da web o tão falado “novo sistema operacional”. O dia em que o Google (sempre eles…) lançou o browser Chrome.
Já instalei e li os releases, bem como as apresentações que o Google preparou. Me pareceu rápido, mas apresentou alguns problemas quando eu fui editar uma página do Intranet Portal, que está baseado em Plone/Zope - o que não é o fim do mundo, principalmente para algo que está na versão 0.2, como é o caso do Chrome. Em contra-partida, lá está a inteligência emergente e probabilística típica do mundo 2.0, fazendo com que o navegador nos mostre automaticamente as páginas que temos visitado mais, toda vez que abrimos uma nova aba.
Mas o que há de mais relevante está acontecendo nos bastidores, com destaque para a separação de aplicações que rodem em janelas diferentes, a melhoria da segurança e a otimização da performance geral (e de Java, em particular).
Mal comparando, o Google resolveu agora um problema que também assolava nossos desktops, quando o mundo ainda era offline: se um aplicativo travasse, todos os outros eram afetados e, não raro, perdíamos trabalhos que estávamos fazendo utilizando a capacidade multitarefa. Como o Google identificou com maestria, a experiência na web agora não é mais de simples consulta a textos, mas de interatividade. Em outras palavras: nosso browser aciona aplicativos ao invés de simplesmente mostrar páginas html estáticas, como no passado. Assim, se um deles travar, não perderemos mais o que estávamos fazendo nas demais “janelas” (desculpando o trocadilho…).
O mundo das intranets e portais corporativos certamente será afetado, principalmente se o Google conseguir reverter o quase monopólio do Internet Explorer. Mas o mais importante é realmente o fato de estarmos diante da primeira evolução significativa e estrutural alinhada aos conceitos de clowd computing, SaaS (Software as a Service) e web 2.0. O avanço do browser pode ser visto como um passo importante para a chamada “Internet 2″, onde teríamos a mesma rede global, mas agora mais sofisticada, segura e capaz de responder às demandas dos novos tempos (se a simplicidade da Internet fez dela o fenômeno que é, agora começa também a ser o principal obstáculo para o seu crescimento).
Portanto, mais do que pensar apenas em como será a interação das Suítes proprietárias de Portal (como as da Microsoft, IBM, Sap e Oracle) com o novo navegador, devemos nos perguntar até quando a idéia de uma Suíte proprietária de Portal fará sentido em um mundo de código cada vez mais aberto e de banda cada vez mais larga - sem falar na ampla gama de possibilidades que os mashups de softwares e fontes hospedados na web abrem para as organizações. Em verdade, a própria idéia de portal corporativo, da forma como conhecemos hoje, pode estar em xeque em poucos anos…
E você, o que acha? Dê uma olhada no discurso oficial do Google e depois deixe seus comentários!
Add comment 2/Setembro/2008
Prêmio Intranet Portal: inscrições prorrogadas
Quem precisava de mais tempo para montar seus cases e concorrer à premiação já não tem mais com que se preocupar: agora, a data-limite para as inscrições passou a ser 26 de setembro.
Recebi várias solicitações neste sentido, já que a burocracia das empresas acaba tornando as coisas lentas (do ponto de vista de viabilizar budget para a taxa de inscrição) e a montagem do material requer algum tempo mesmo (já que os jurados farão a primeira análise exclusivamente a partir dele).
As inscrições e todos os detalhes continuam disponíveis em www.premiointranetportal.com.br - participe!
Add comment 27/Agosto/2008
Sharepoint 2007: o novo Notes?
Não, você não leu errado. E, se vive no mundo de TI há uns 10 ou 15 anos, vai entender claramente a comparação.
Quem acompanhou o lançamento do MOSS 2007 (vulgo Sharepoint) sabe que houve muito burburinho em torno desta suíte de portal corporativo da Microsoft. Seria ela capaz de cumprir um bom papel no mundo web, onde certamente não está na dianteira? Seria o Sharepoint também uma ferramenta de ECM, como prega a fabricante?
Agora que um ano se passou, duas coisas são certas: o Sharepoint é o maior sucesso recente da empresa (afirmação dela própria e constatação prática deste que vos fala) e as preocupações quanto ao seu “uso indiscriminado” são crescentes. E é aqui que entra o Notes…
Ele foi uma das primeiras maravilhas corporativas da microinformática. Dominando sua linguagem e utilizando mais do que somente o correio eletrônico, era possível construir várias aplicações de forma rápida, com workflow, bases de documentos, alertas… e eis que a área de TI se viu incapaz de orquestrar seu uso, já que proliferavam usuários não-TI que dominavam a ferramenta.
Logo, logo, o que era maravilhoso se mostrou infernal. Simplesmente a sua grande facilidade, frente ao que existia na época, era o seu maior pró - e mostrou-se, logo depois, seu maior contra. Sem governança, sem arquitetura de integração, sem documentação, sem roadmap, o crescimento desordenado se tornou uma grande dor de cabeça. E ainda hoje o é, para muitas empresas que têm vários desenvolvimentos em Notes como legado.
Pois voltemos ao Sharepoint: pegue as análises recentes e os “alertas dos especialistas” a respeito dele, substitua a palavra “Sharepoint” por “Notes” nestes artigos e você verá que as duas realidades, separadas por vários anos, são muito similares. Fato é que a TI está disponibilizando o Sharepoint livremente e ele, que traz várias facilidades e é intuitivo em muitos aspectos, vai proliferando desordenadamente, gerando repositórios isolados, sem padronização, sem controle, sem roadmap, sem documentação… É a vitória do curtíssimo prazo, do pragmatismo exacerbado, sem qualquer visão sistêmica, sobre o planejamento evolutivo e o tratamento destes ambientes como algo orgânico. Qualquer semelhança não é mera coincidência.
Mas uma pergunta não quer calar: se já vivemos isso com o Notes, porque a TI repete o erro de entregar diretamente a ferramenta para os usuários?
E o pior: o mesmo já aconteceu nos primórdios das intranets. Em artigo de 1996, falando sobre “o fenômeno chamado intranet”, um dos cases apresentados como fantástico dava conta de que a FedEx já tinha 600 (!!!) intranets departamentais… o artigo trazia depoimentos dos gestores, falando do quanto era maravilhoso e simples usar o html e acessar pelo browser… Hoje, boa parte das empresas que me procuram querem justamente saber o que fazer com legados desordenados deste tipo, que de produtivos não têm nada…
O principal motivo para essa postura permissiva-omissa é bem claro: a TI se vê refém da sua tradicional incapacidade de ter a agilidade necessária para atender as demandas das áreas de negócio e prefere abrir mão da orquestração em nome de uma falaciosa idéia de estar cumprindo o seu papel, liberando a ferramenta (quando, na verdade, um de seus papéis mais nobres deveria ser justamente a orquestração…).
A diferença, nos dias atuais, é que já temos massa crítica e cases de portais CORPORATIVOS (leia-se: orquestrados) que mostram o caminho - mas ainda assim muitos insistem em repetir os erros do passado. O mais irônico é que, com um bom planejamento e utilizando de forma inteligente os processos de permissão e gestão, é perfeitamente possível dar ao usuário final muito poder e agilidade, mas sem abrir mão da orquestração sistêmica, inclusive usando o Sharepoint 2007.
Além disso, a TI continua caindo no canto da sereia dos fabricantes (que, na maioria das vezes, querem vender e cumprir a meta, custe o que custar) e continua achando que o importante é manter o servidor de e-mail no ar (e olha que o SaaS já é uma realidade). Se focasse mais no I, de ”Informação” (e Conhecimento) e menos no T (de ”Tecnologia”), pensaria duas vezes antes de sair distribuindo Sharepoint para as massas e colocaria os projetos de portal corporativo como elementos prioritários do seu planejamento, já que é tratando informação e conhecimento, com vistas à inteligência coletiva e à inovação, que se agrega efetivo valor ao negócio. Pensar em um projeto de portal é pensar na governança, orquestração e evolução destes ambientes web corporativos que, bem arquitetados, são uma das mais importantes ferramentas para empresas que querem ampliar a sua competitividade neste mundo hiperlinkado.
E você? Ainda confunde sistema crítico-comoditizado (como o e-mail) com estratégico? Então certamente o caos informacional está se formando bem debaixo do seu nariz - e, o que é pior, com a sua bênção…
2 comments 22/Agosto/2008


